Boca do Cais

Nordeste gera 17% das vagas do País

29/07/2010 08:38

Enquanto o peso do Produto Interno Bruto (PIB) do Nordeste é de 13% sobre o nacional, o estoque de postos de trabalho formais na região representa hoje mais de 17% do total de vagas geradas no Brasil. Dados como esses, discutidos ontem durante a 2ª Análise Ceplan de Conjuntura Econômica, confirmam que o Nordeste passa por um inédito crescimento, puxado, principalmente, pela expansão do setor industrial. Mas gargalos como a dificuldade de inserção no mercado de trabalho, vivenciado há décadas pelos jovens, ainda permanecem nas maiores economias nordestinas: Pernambuco e Bahia.

A taxa de desemprego aberto na Região Metropolitana do Recife, segundo Pesquisa de Emprego e Desemprego do Dieese, está variando entre 10% e 12% nos últimos meses, mas a desocupação na faixa etária compreendida entre 18 e 24 anos não sai do patamar de 25%, assim como em Salvador.

Para o economista Jorge Jatobá, a dificuldade para ganhar o primeiro emprego nessas capitais acontece principalmente pela baixa qualificação e falta de experiência da mão de obra em comparação com as novas exigências das empresas do ramo industrial. No primeiro trimestre de 2010, a indústria se consolidou como o setor que mais puxou a recuperação econômica de Pernambuco, onde a produção cresceu 18%, ficando acima da média nacional de 17,3%. Bahia e Ceará tiveram desempenho iguais (16,3%).

“Em Estados como o Ceará, a dificuldade do primeiro emprego não é tão forte, pois a maior parte dos empregos formais é gerada pela indústria de confecções, calçados e turismo, que demanda intensiva mão de obra semi-qualificada”, justifica Jatobá. Como resultado disso, a Região Metropolitana de Fortaleza apresenta taxa de desocupação que é quase a metade do que se verifica em Recife e Salvador. De janeiro a maio, a média desse índice na capital cearense ficou em 6,5%.

Para a economista Tânia Bacelar, a carência de mão de obra qualificada em Pernambuco também serve para justificar o fato do aumento proporcional do rendimento dos ocupados na RMR (6,2%) ter sido a maior quando comparado a Porto Alegre (6,1%), Rio de Janeiro (4,3%), Belo Horizonte (3,4%) e Salvador (3%) e São Paulo (-1,3%). “Quando há disputa pelos trabalhadores, há uma pressão para que os salários oferecidos subam”, explica Bacelar.

Apesar do crescimento expressivo, a remuneração do trabalhador no Recife ainda é a menor dentre as cidades pesquisadas, atingindo R$ 962,44 no primeiro trimestre do ano.

 

 

Fonte: Jornal do Commercio

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